Eu estava em casa naquele domingo, sozinho na frente da TV assistindo aquela corrida. Lembro exatamente da voz do Galvão ao narrar “Senna bateu forte!”. Minha mãe nesse momento veio correndo do quarto assustada. Lembro de ter pensado, “pra quê tanto apavoramento, eles batem a toda hora, foi só mais uma”. Mas não, não era só mais uma.
Na minha inocência infantil não liguei muito, achei até normal tudo aquilo, embora nunca tenha visto helicóptero levar piloto nenhum acidentado. Mas, afinal, ele merecia tal tratamento, ele era o melhor, pensava eu.
Não tinha noção da dimensão do que estava acontecendo e de quanto aquele dia seria marcante. Não tinha noção nem do que era a morte, afinal de contas.




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